1917-2017: cem anos de Milhaud no Brasil

Comemora-se, em 2017, os cem anos da chegada do compositor francês Darius Milhaud ao Brasil. Ele permaneceu aqui por quase dois anos (de fevereiro de 1917 a novembro de 1918). Foi o diplomata e poeta Paul Claudel quem o trouxe ao Brasil para atuar como seu secretário. Por conta disso, Milhaud recebeu a missão diplomática de ‘Encarregado da Propaganda’. Na prática, ele teve também atuação como “adido cultural”. Musicalmente, a fase mais rica da produção de Milhaud é considerada a que engloba o tempo de permanência no Brasil e os anos imediatamente subsequentes, quando a influência da música brasileira se refletiu de maneira mais direta em sua obra. Vê-se, então, a importância que teve para Milhaud, no delineamento do seu estilo composicional, o contato com o Brasil. Segundo suas próprias palavras, viver no Brasil por quase dois anos foi para ele o equivalente a receber o Prix de Rome, o que significou ter a possibilidade de passar um período fora da França dedicando-se intensamente à composição. Antes de vir ao Rio de Janeiro, Milhaud era um jovem e desconhecido compositor. O grande contato que manteve com os músicos locais e com a música brasileira deixou marcas decisivas na sua produção e colaborou no delineamento da sua atividade composicional. Os anos 1917-18 foram um período muito rico para Milhaud não apenas em relação à sua produção composicional, mas também como intérprete. No Brasil, Milhaud viveu sua época de maior atuação como instrumentista, principalmente com o violino, apesar de executar algumas vezes também peças ao piano ou à viola. Milhaud conviveu com músicos brasileiros no Rio de Janeiro, sua cidade de residência durante aquele período. No Rio, Milhaud conheceu compositores como Alberto Nepomuceno, Francisco Braga, Henrique Oswald, Luciano Gallet (que foi seu aluno) e Villa-Lobos. Mas seus grandes amigos foram o pianista Godofredo Leão-Veloso, sua filha Nininha Veloso-Guerra e o compositor Osvaldo Guerra. Milhaud usufruiu de intensa atividade musical nesse convívio.  A estada no Brasil foi muito enriquecedora e de importância central para Milhaud por lhe permitir um período de importantes contatos, ampla aceitação ao seu trabalho e liberdade de experimentações. Lembrando da interação de Milhaud com a música brasileira, por ocasião dos cem anos de sua vinda ao Rio de Janeiro, propomos uma mesa de trabalho na qual os participantes trarão questões pertinentes ao contato do compositor francês com o Brasil e com a música brasileira.