O compositor Glauco Velásquez e o cosmopolitismo parisiense da Belle Époque brasileira

Juliane Larsen 

Nesta comunicação apresentaremos algumas das características principais das obras tardias do compositor Glauco Velásquez (1884-1914), levantadas a partir da análise de suas partituras, e as relacionaremos com as noções de nacionalismo e cosmopolitismo presentes nos primeiros anos da República Brasileira. Acreditamos que a obra deste compositor, considerado em vida um dos mais importantes de música de câmara no Brasil, só pode ser compreendida à luz da “mentalidade” das elites cariocas da época, que tinham Paris como modelo cultural, e para as quais a música clássica funcionava como símbolo de modernidade e civilização. Além disso, notamos que a breve carreira de Velásquez contou com o apoio do Instituto Nacional de Música, do qual foi aluno. O apoio institucional através de professores como Francisco Braga e Frederico Nascimento favoreceu o reconhecimento do compositor, que ganhou visibilidade na imprensa carioca da época. No entanto, após seu falecimento suas obras foram gradativamente saindo do repertório dos concertos e recitais, mesmo apesar do esforço de Luciano Gallet que fundou uma associação para a manutenção da memória do compositor através da execução de suas obras e edição de partituras. Com o passar dos anos Velásquez caiu em esquecimento, o que se deveu também aos musicólogos da geração modernista, que ao escreverem a história da música no Brasil perpetuaram juízos de valor negativos para Velásquez, justamente devido ao cosmopolitismo de sua obra. Em vista disso, consideramos pertinente revisitar a obra deste compositor e toma-la em consideração a partir do contexto do Brasil republicano dos anos em torno a 1910. Para tanto usamos bases teóricas tanto analíticas quanto históricas, dialogando com musicólogos que têm situado a música erudita culturalmente, considerando o processo histórico no qual a música é criada.

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In this paper, we will present a few of the main characteristics of Glauco Velázquez’s late musical works that we find through the musical analysis. Thereafter, we relate them with the conceptions of nationalism and cosmopolitanism of the first years of Brazilian republic. We believe the composer’s work, one of the most important Brazilian composers of camera music, can only be understood in the light of “mentality” of the elites of that time. For them, Paris was a cultural model and the art music it was a symbol of modernity and civilization. Besides that, we noted that “National Institute of Music”, of which Velásquez was a student, supported the brief career of the composer. The institutional support from the professors Francisco Braga and Frederico Nascimento favored the Velásquez’s recognition, who gained visibility in the Rio press of the time. However, after the death of the composer, his works were gradually going out of the repertoire of public concerts, even though the efforts of Luciano Gallet that created an association for the maintenance of composer memory through the interpretation and edition of your works. Over the years, Velásquez fell into oblivion. The Brazilian modernist musicologists contributed to this when wrote the music history of Brazil perpetuating negative value judgments for Velásquez, precisely because of the cosmopolitanism of your work. Therefore, we consider relevant revisiting the work of Velásquez, and take them considering the context of Brazilian republic around 1910. For these proposals, we use both analytic and historic theoretical bases, discussing with musicologists who have situated art music culturally, considering the historical process in which music is created.